segunda-feira, 4 de outubro de 2021

A fala de uma mulher

Cheguei: Andei sofrida
no ventre da minha mãe
eu de lá vim a chorar
quando aqui me deparei...
Não tenho tempo a perder
desta vida nada sei,
com licença, com licença,
que o depois vos mostrarei
Sou força da Natureza
Sou como a fúria do mar
E que ninguém me detenha
que eu cheguei para ficar...


Clara Mestre

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Moaxahas

Lisboa reflete luz por todo o lado
E quando a noite surge, canta o fado

Lisboa de marialvas e fadistas
Tem orgulho no fado e seus artistas
Lisboa soma e segue nas conquistas
Lisboa às vezes tem um ar zangado
Porque o Tejo, seu amor lhe tem negado

Lisboa é cidade amada e querida
Tem cor, tradição e muita vida
"Mas até a sonhar é atrevida"
Acredito que nem tudo é bem amado
Por isso é que Lisboa tem o seu fado


Clara Mestre

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Resposta a um poeta

A minha poesia
Não é a tua poesia
Não é intelectual...
A minha poesia
É simples, como eu
Tem o cansaço do pobre...
Tu vês um mundo só teu...
Eu vejo crianças a morrer
de fome...
Velhos, doentes, a morrerem
sem ninguém...
Por isso pergunto:
Quem salva quem?
Tantos refugiados
Repatriados num abandono
total
(Vomito este mundo
desvairado e gente do mal)
Porém a minha poesia
Também é florida
Adoro a Primavera
E canto um cântico à vida...
Os campos, as árvores
Os passarinhos
O Amor no olhar dos namorados
Uma floresta
e seus caminhos...
Mas... muita coisa me agonia
Por tudo o que sinto e leio, Sei...
que a tua poesia
não é a minha poesia...

Clara Mestre

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

A minha arrecadação


Na minha arrecadação

Há livros que nunca li

Caricias e vãs suspiros

E a lembrança de ti...

Na minha arrecadação

Aprisionei o viver

E a ânsia de liberdade

Que ninguém pode entender

Na minha arrecadação

Os beijos andam no ar

Abraços sem terem fim

E um Sol que quer brilhar

Na minha arrecadação

Há desejos incontidos

Escondi lá os meus sonhos

Pra ficarem bem escondidos...

Na minha arrecadação

Há um mundo para ver

Segredos sem terem fim

E muitos livros para ler


Clara Mestre

Vistas da aldeia

Esteja eu onde estiver

Pesquisando algo de novo

Meus olhos sempre se cruzam

Com a Serra do Socorro

Mas também há nesta aldeia

Um campo bem visionário

Para onde viro o olhar

Vejo sempre o campanário

E estas duas visões

Perseguem o nosso olhar

É linda esta minha aldeia

Pra quem a quiser amar

Mas, tem muitas coisas mais

Bonitas, são mais de mil

Traz o coração em festa

Esta aldeia do Gradil...



Clara Mestre