quinta-feira, 15 de julho de 2021

A minha varanda

A minha varanda

tem a capacidade

de me deslumbrar

e dela sinto vaidade

tudo quando dali observo

Faz-me divagar

mostra o mundo colorido

que me dá mil motivos

p'ra sonhar

Vejo da minha varanda

o meu pedaço de mar

azul, malandro, vaidoso

sequioso em me agradar

A minha varanda é cantante

é linda, sem ser virtual

tem vistas deslumbrantes

fica numa praça principal

E nesta grande varanda

o Sol aqui brilha mais

é poesia sem fantasia

são encontros de vitrais...


Clara Mestre

sexta-feira, 21 de maio de 2021

A Caixa

A cabeça também

é uma caixa

ou encaixa

ou não encaixa.

Há que matar

a cabeça a estudar

(Mas quem não quer)

O melhor é enfiar

uma caixa na cabeça

e deixá-la lá ficar

a hibernar...


Clara Mestre

terça-feira, 20 de abril de 2021

Já não me sei entender...

 Já muitos escreveram tudo

E há tão pouco a dizer

Tanta letra, tanta escrita

E tanto por entender...

Quanto mais cresço em idade

Mais parva me sinto ser

Com tanta versatilidade

Já não me sei entender

Com tanto intelectual

E tanta gente perfeita

Põem doente o país

Que nunca mais se endireita...

Não há seguro que nos valha

Nem há seguros de letras

Cá nos vamos segurando

Com meia dúzia de tretas.


Clara Mestre

Louvor

Enfermeiros e enfermeiras

Que nos cuidam da saúde

São grandes profissionais

Com sua solicitude

De bandeira desfraldada

Enfrentando um "mundo novo"

São eles grandes obreiros

Que cuidam de nós, o povo.

São presença preciosa

Em todos os hospitais

P'ra tanta gente doente

Eles nunca são demais

Merecem nosso respeito

E a nossa compreensão

Dar valor ao seu trabalho

E à sua abnegação...

Por isso vos digo aqui

Que enalteço a profissão

Destes bons profissionais

Na sua dedicação.

Enfermeiros e enfermeiras

Sois vós dignos de louvor

Por vosso trabalho insano

Onde há Desgaste e Amor.



Clara Mestre

quarta-feira, 8 de abril de 2020

O Arco-íris da Dor

Que cor darei à dor?
O azul do infinito
P'ra que ela seja suave
E não se espraia em grito?
Ou será o cor-de-rosa
Mais perfeito?
Talvez nos dê coragem...
Talvez nos dê mais jeito...
Que cor darei à dor
De tanta guerra e conflito?
Vou dar-lhe a cor do sangue
Vermelho de um só grito.
Que cor vou dar à dor
De multidões famintas
E doenças fatais?
O roxo dos martírios
Nada mais.
Que cor darei à dor
De tanto cataclismo
Que fere a natureza?
Vou pôr o arco-íris
Pedindo ajuda a Deus
Que fez toda a beleza.
Mas p'ra tanta e toda a dor
Eu ponho a cor da Esperança
Com verdes muito fortes
E risos de criança.


Clara Mestre