terça-feira, 20 de abril de 2021

Já não me sei entender...

 Já muitos escreveram tudo

E há tão pouco a dizer

Tanta letra, tanta escrita

E tanto por entender...

Quanto mais cresço em idade

Mais parva me sinto ser

Com tanta versatilidade

Já não me sei entender

Com tanto intelectual

E tanta gente perfeita

Põem doente o país

Que nunca mais se endireita...

Não há seguro que nos valha

Nem há seguros de letras

Cá nos vamos segurando

Com meia dúzia de tretas.


Clara Mestre

Louvor

Enfermeiros e enfermeiras

Que nos cuidam da saúde

São grandes profissionais

Com sua solicitude

De bandeira desfraldada

Enfrentando um "mundo novo"

São eles grandes obreiros

Que cuidam de nós, o povo.

São presença preciosa

Em todos os hospitais

P'ra tanta gente doente

Eles nunca são demais

Merecem nosso respeito

E a nossa compreensão

Dar valor ao seu trabalho

E à sua abnegação...

Por isso vos digo aqui

Que enalteço a profissão

Destes bons profissionais

Na sua dedicação.

Enfermeiros e enfermeiras

Sois vós dignos de louvor

Por vosso trabalho insano

Onde há Desgaste e Amor.



Clara Mestre

quarta-feira, 8 de abril de 2020

O Arco-íris da Dor

Que cor darei à dor?
O azul do infinito
P'ra que ela seja suave
E não se espraia em grito?
Ou será o cor-de-rosa
Mais perfeito?
Talvez nos dê coragem...
Talvez nos dê mais jeito...
Que cor darei à dor
De tanta guerra e conflito?
Vou dar-lhe a cor do sangue
Vermelho de um só grito.
Que cor vou dar à dor
De multidões famintas
E doenças fatais?
O roxo dos martírios
Nada mais.
Que cor darei à dor
De tanto cataclismo
Que fere a natureza?
Vou pôr o arco-íris
Pedindo ajuda a Deus
Que fez toda a beleza.
Mas p'ra tanta e toda a dor
Eu ponho a cor da Esperança
Com verdes muito fortes
E risos de criança.


Clara Mestre

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Urze do monte

Como me lembro
Das urzes dos montes
Ramos verdinhos,
Com cheiro a pinhais.
Lá se cortavam,
E em molhinhos,
Fazíamos vassouras
Com os tais.
Varríamos a casa,
Que era de terrum.
Duravam pouco
As vassourinhas,
Mas eram lindas
E cheirosinhas,
Urzes dos montes,
Saudades minhas...

Não gosto

Não gosto de mentiras
Nem de aldrabices
Falsas amizades
Feias fofoquices
Não gosto de desleixo
Nem de confusões
Nem de fingimentos
Ou baixas traições
Não gosto de gritos
Más educações
Pessoas cruéis
Com más intenções
Não gosto de tudo
Que seja maldade
Não gosto que impeçam
A felicidade.


in "XXIII Antologia APP 2019"